Crítica: DJ do Agreste (dir. Regina Barbosa)

Revisão: Nilton Resende

Antes de estrear como diretora em 2009 com DJ do Agreste, Regina Célia Barbosa assinou o roteiro de Mirante Mercado (2004) e Calabar (2007) junto a Hermano Figueiredo. Assinou também a produção de Calabar e A Última Feira (2005). Essas são apenas algumas de suas colaborações mais marcantes. Dj do Agreste foi um dos vinte oito filmes alagoanos exibidos na primeira edição da Mostra Sururu de Cinema Alagoano.

Primeiro filme sob a direção de Regina, Dj do Agreste apresenta Paulo Lourenço, colecionador de discos de vinil, dando-nos a experiência de vê-lo rodeado pelos discos, em enquadramentos simples como se ele estivesse conversando conosco, demonstrando, desde as primeiras falas, o seu extenso conhecimento sobre música.

Com esse filme, Regina nos presenteia com a franqueza de uma personagem que conta a sua história com tranquilidade e que transpira paixão ao fazer referências aos discos, artistas e músicas.

A montagem tem alguns saltos (cortes) de imagem por priorizar a concisão entre as falas de Paulo. As participações de Geraldo Veríssimo e Edson Bezerra ficam como um recurso para complementar as falas da personagem principal, gerando interrupções no ritmo e na estética apresentados nos enquadramentos em que vemos Paulo.

Os depoimentos de Eliza Magna e Rosângela Carvalho foram realizados no Bar do Paulo, lugar mencionado algumas vezes durante o filme, mas que também parece um espaço de quebra na construção da narrativa que na maior parte do tempo foca em Paulo em meio ao seu acervo de discos de vinil.

Paulo é uma personagem cativante, mas a escolha pela duração de 19 minutos do documentário, somada à abordagem de inúmeros assuntos que não são aprofundados, resulta numa narrativa um pouco cansativa.

O registro do Bar e da personagem valoriza a iniciativa de Paulo em manter durante mais de três décadas um espaço de resistência cultural em Arapiraca, servindo de referência para muitas gerações e reverberando ainda hoje, quando o espaço não mais funciona. Ao assistir a Dj do Agreste na primeira Mostra Sururu, em 2009, fiquei muito satisfeita em reencontrar Regina, agora como como diretora, assim como encantada com o registro de um história que eu só conheci através de seu documentário. Desejei que ela seguisse dirigindo filmes, o que felizmente ela fez.

Regina Barbosa foi contemplada pelo edital Curta Criança através do qual realizou Um vestido para Lia junto a Hermano Figueiredo, e assina também a direção de A Flor da Casa.

Sobre Larissa Lisboa
Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (2008), especialista em Tecnologias Web para negócios (ebusiness), pela Fejal - CESMAC (2010), atualmente é analista em audiovisual do SESC Alagoas. Tem experiência em produção de ações formativas, mostras e documentários, e em curadoria de filmes; na análise e gestão de conteúdo online; e na catalogação de vídeos, com ênfase na produção audiovisual alagoana. Idealizadora e coordenadora do Alagoar (site sobre o audiovisual alagoano) e Diário Refletido (comunidade fotográfica).

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