
Texto: Rosana Dias. Imagem: Divulgação
Filme Café com Rebu, com direção e atuação de Danny Barbosa
A ficção Café com Rebu – fruto do curso AudioTransVisual – nos mostra as adversidades da vida em decorrência da pandemia imposta pela COVID-19. O efeitos e consequências dessa doença na população trans de baixa renda.
Quando vi o nome rebu a primeira coisa que me veio à mente foi o esmalte com esse nome, lembrei que era um esmalte que minha mãe usava antes de se tornar evangélica. Rebu é cor quente, vermelho vivo. Rebu é impacto à primeira vista.
Danny Barbosa domina a telona com a sua atuação, as mensagens trocadas, a ansiedade em receber um auxílio em análise, a vida em análise. Essa vida que requer sustento. Mas a volta ao passado, e do passado vêm à tona e batem à sua porta, assim como as contas que a personagem tem que pagar, mas a vida ali, em sua casa, torna-se uma cansativa e frustrante espera. O que antes era orgulho, um trabalho decente, na pandemia, as coisas saem do lugar, como uma unha que a gente pinta apressadamente e só depois percebe que faltou limpar os cantos. Sair com as unhas assim nos deixa com vergonha, e se alguém ou alguma pessoa conhecida vê essas imperfeições, aquela vergonha se torna maior.
Café com Rebu me prendeu desde o primeiro minuto de cena. O cenário nos deixa tão à vontade quanto a própria personagem, que está ali na sua exuberante atuação, esperando por uma clientela em seu salão, clientes esses que do mesmo modo passam por dificuldades financeiras, fregueses que também estão em análise. As máscaras postas e a vida em confronto, as mensagens trocadas entre amigas, ou as videochamadas, nos deixam querendo mais, o filme passa aos nossos olhos com suas suaves pinceladas – assim é a atuação de Danny –, ficamos ali esperando como uma cliente à espera em um salão de beleza, observando cada cena e, nesse esperar, nessa tentativa de ver como ficará o resultado final, somos tomadas por mais pinceladas, o esmalte que precisa de tempo para secagem, a vida da personagem que não pode esperar a pandemia acabar, ela precisa do auxílio emergencial, que não sente a sua emergência de viver.
O tempo passa para todas e essa visibilidade está marcada seja nos cabelos descoloridos ou na pele, mas os cuidados, e a vaidade estão ali presentes, um esmalte que precisa de retoque. E uma vida que precisa ser apagada com acetona, mas que ganha cores que nem sempre são agradáveis, só são necessárias e urgentes.
Leave a Reply