
Texto: Emanuella Lima. Revisão: Larissa Lisboa. Foto: Fellipe Yuri
O segundo dia do 1º Festival de Cinema de Pilar teve mostra infantil e sala lotada no Cine Pilarense, com olhares atentos e a participação de estudantes da rede pública do município.
Os filmes exibidos na Mostra Infantil do festival foram: Menina Semente, dirigido por Túlio Beat (PE), Diafragma, de Robson Cavalcante (AL), O Menino e o Bagre, de Karlos Jorge (AL), e Maré Braba, de Pâmela Peregrino (CE).
À noite, o festival continuou com a exibição de quatro curtas-metragens: Riacho Doce, dirigido por Vanessa Mota; Impedimento, dirigido por Renata Baracho; Luz, Câmera, Produção!, com direção de Adriana Manolio e Charles Northrup; e Cine Guarany, de Karolina Justino.
O curta que abriu a noite de exibições foi Riacho Doce, de Vanessa Mota, que encantou ao abordar a afetividade por meio da culinária e da ancestralidade no bairro que dá nome à obra, situado no Litoral Norte de Maceió. Entre a beleza das imagens e a força do roteiro, o filme denuncia o abandono de uma comunidade rica em tradição e identidade, marcada pela resistência das mulheres que mantêm viva a cultura alimentar por meio das casas de farinha e das receitas herdadas das matriarcas.
Na sequência, Impedimento deu voz às mulheres apaixonadas por futebol, mostrando suas lutas, conquistas e o sentimento de pertencimento dentro e fora das quatro linhas. Por meio de histórias como as de Charlene Araújo e Amanda Balbino, o curta provoca uma reflexão sobre os espaços que as mulheres vêm conquistando no esporte — espaços que antes lhes foram negados, mas que agora são ocupados com coragem e amor. O filme também presta uma homenagem simbólica à alagoana Marta da Silva, celebrando-a como símbolo de superação e inspiração.
Encerrando a programação, Cine Guarany resgatou a história do antigo Cine Teatro Guarany, em Rio Largo. A diretora Karolina Justino reconstrói, por meio de memórias e depoimentos, o valor simbólico e afetivo do espaço. Mais do que contar a história de um prédio, o curta homenageia as lembranças que resistem ao tempo e transformam o cinema em um patrimônio vivo, mantido pelas pessoas que se recusam a esquecer.
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