
Texto: Emanuella Lima. Revisão: Larissa Lisboa. Foto: Fellipe Yuri
O último dia do 1º Festival de Cinema de Pilar foi uma verdadeira celebração do cinema alagoano, encerrando a programação com emoção, representatividade e olhares atentos do público presente. A noite foi marcada por produções locais e por um curta-metragem especial: resultado da oficina de audiovisual realizada com alunos da rede municipal de ensino de Pilar, que demonstraram talento e sensibilidade na tela.
A exibição começou com “Samuel Foi Trabalhar”, dirigido por Janderson Felipe e Lucas Litrento. O curta acompanha a trajetória de um jovem negro que circula pelas paisagens contrastantes de Maceió em busca de trabalho formal. Muito além de uma simples narrativa sobre empregabilidade, o filme mergulha nas contradições do sistema, expondo como a informalidade e a precarização corroem sonhos, identidades e subjetividades. Samuel se depara com o dilema de “fazer a coisa certa” num mundo onde as oportunidades vêm acompanhadas de angústia, sobrecarga e invisibilidade.
Em seguida, fomos tocados por “Ainda Escuto o Céu Embaixo d’Água”, um filme coletivo dirigido por Alice Lovelace, Céuva, Kalina Flor, Lua de Kendra, Marina Bonifácio, Morgana Neves, Nara dos Santos, Pérolla Negra e Samantha de Araújo. O curta narra o mergulho interior de Samantha, uma mulher trans em busca de reconexão com sua essência e cura espiritual. Entre realidade e poesia, a obra transita pela dor e pela beleza de se reconhecer em sua própria pele, diante de um mundo que ainda impõe distâncias entre o ser e o estar.
Na sequência, “O Grande Amor de Um Lobo”, dirigido por Adrianderson Barbosa, surpreendeu o público com sua leveza e criatividade. O curta conta a história de um jovem que sonha em ser cineasta e dá vida ao seu roteiro, no qual um lobo parte em busca de seu grande amor. A produção, sensível e lúdica, é uma verdadeira declaração de amor ao cinema e à liberdade de imaginar.
Encerrando a programação, o filme “Benção”, de Maysa Reis, emocionou a plateia ao apresentar duas personagens inesquecíveis: as avós Dona Bernadete e Dona Cecília. Com uma direção sensível, o curta explora sentimentos como harmonia, saudade e melancolia. A narrativa aborda temas como a velhice, a depressão, os sonhos interrompidos e o desejo de afeto. Dona Bernadete e Dona Cecília representam tantas mulheres brasileiras que, mesmo limitadas por estruturas patriarcais, seguem com força, humor e sabedoria.
Ao final da noite, o 1º Festival de Cinema de Pilar se despediu deixando sua marca no audiovisual alagoano — que pulsa com talento, diversidade e potência. E, mais importante, reafirmando que a arte segue sendo um caminho para nos vermos, nos sentirmos e nos reconhecermos.
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