Árido Lab impulsiona projetos cinematográficos alagoanos

Texto: Assessoria. Fotos: Divulgação.

Com um grande time formado por profissionais do Cinema Brasileiro, a primeira edição do Árido Lab concluiu com êxito a sua missão de contribuir para o fortalecimento de projetos cinematográficos independentes de Alagoas. Além de ofertar um conjunto de cursos voltados a diferentes etapas de desenvolvimento e produção audiovisual, o laboratório realizado nos formatos virtual e presencial — no Sertão — entre março e junho deste ano também destinou premiações em dinheiro para projetos que se destacaram na rodada de pitching que marcou o encerramento desse primeiro ciclo da iniciativa.

Laboratórios são importantes ferramentas para o amadurecimento estético, técnico e conceitual de projetos cinematográficos independentes no Brasil. No entanto, o acesso a essas oportunidades imersivas realizadas mais comumente em outras partes do país ainda é difícil para quem trabalha com Cinema, Vídeo e Animação em Alagoas, especialmente em cidades distantes da Região Metropolitana de Maceió. De acordo com Amanda Môa, idealizadora e coordenadora pedagógica do Árido Lab, o projeto nasceu a partir da percepção dessa necessidade setorial.

“Nessa primeira edição, a gente focou muito no Sertão Alagoano, mas entendendo que esse lugar árido que é Alagoas como um todo é o que não está no eixo Rio – São Paulo. Então, o curso abrangeu tanto pessoas do Sertão como pessoas de periferias da capital e de alguns outros municípios de Alagoas”, explicou.

O Árido Lab ofereceu inscrições com preços acessíveis, ofertou algumas bolsas integralmente gratuitas, elencou um grupo de universitários como monitores dos seus cursos e construiu um ambiente formativo saudável, acolhedor e colaborativo.

Com ementa criada por Maíra Ezequiel e Danielle de Noronha, professoras do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal de Sergipe (UFS), o laboratório partiu da perspectiva dos cinemas do amanhã e da decolonização da arte  para abordar em seus cursos a história do cinema mundial, a linguagem audiovisual, a criação de roteiro, as tecnologias audiovisuais e o desenvolvimento de projetos, entre outras práticas e temáticas. Nataska Conrado (AL), Grazie Pacheco (SP), Eduardo Liron (SP), Vanessa Barbosa (PE), Marton Olympio (RJ) e Lucas Litrento (AL) compuseram a equipe de instrutores do projeto junto à Maíra e Danielle.

Os convidados Emerson Maranhão (AL), Kênia Freitas (ES-SE), Nina Tedesco (RS-RJ), Carla Paiva (BA), Ana Marinho (PE – SE), Alice de Andrade (RJ) e Hewelin Fernandes (SP – BA) também compartilharam suas visões de mundo e experiências profissionais com as dezenas de pessoas de diferentes cidades alagoanas participantes do laboratório. Os alunos e alunas contaram ainda com consultorias individuais feitas aos seus projetos por Emerson Maranhão, Mayra Costa (AL), Maysa Reis (AL) e Rafhael Barbosa (AL).

No dia 13 de junho, depois dessa rica jornada iniciada em março, o auditório do Premium Hotel, em Delmiro Gouveia, recebeu a masterclass O Roteiro do Seu Projeto: Ideia, Escrita, Apresentação e Realização. A atividade conduzida pelo diretor e roteirista Marton Olympio foi gratuita e aberta aos alunos do laboratório e a outras pessoas inscritas. 

Marton compôs o grupo de avaliação de projetos participantes do laboratório junto à artista e comunicadora Nataska Conrado e ao cineasta e programador Eduardo Liron. Juntos eles definiram os projetos finalistas da primeira edição do Árido Lab. Os realizadores dos projetos finalistas tiveram como oportunidade e exercício a participação numa rodada de pitching realizada no dia 14 de junho no mesmo auditório. O trio avaliou as apresentações e definiu os projetos vencedores, que foram conhecidos em cerimônia realizada no dia seguinte.

 

 

Os projetos premiados foram Tairone, de Larissa Ferreira; A Filha da Fuga, de Wanderlândia Melo; e Planton, de Daniel Ricardo. Cada um deles recebeu a quantia de R$ 3 mil como incentivo para dar continuidade ao seu desenvolvimento. Os avaliadores também concederam menções honrosas aos projetos As Curvas da Estrada, de Winícius Araújo; e Platônico, de Eros Caramori.

A arapiraquense Larissa Ferreira, diretora de Tairone, revela o impacto do laboratório na sua carreira e no seu filme que está em fase de desenvolvimento. O projeto de curta-metragem roteirizado por Larissa e pelo delmirense Caio Praças é uma obra metalinguística sobre o roteirista alagoano Tairone Feitosa.

“Eu não teria a oportunidade de sair de Arapiraca para fazer um curso dessa grandeza em outro estado. O que me marcou bastante foi o espaço criado de escuta, de cuidado com o ritmo de cada um. Falando como pessoa iniciante no setor, me senti muito acolhida. Outra coisa que foi interessante pra mim foi que a maior parte da equipe coordenadora do projeto e instrutoras do curso são mulheres. Isso me contempla ideológica e politicamente e dialoga com o trabalho que faço dentro do Cineclube Verberena”, ressalta a realizadora.

Esse grande conjunto de atividades formativas e de apoio a projetos em desenvolvimento, no entanto, não compõe a primeira edição do Árido Lab em sua totalidade. Em maio, a iniciativa deu vida também à Mostra Árido Lab. O evento foi composto por sessões audiovisuais que ocuparam o Memorial Delmiro Gouveia e o Auditório Graciliano Ramos, em Delmiro Gouveia; e o Auditório do Campus Sertão da UFAL, em Santana do Ipanema. 

A mostra exibiu os curtas alagoanos Ana Parideira (dir. Juliana Barretto), A Revolução Felina (dir. Victor Viana), Diafragma (dir. Robson Cavalcante), Trincheira (dir. Paulo Silver), Um Vestido Para Lia (dir. Regina Barbosa), Benção (dir. Maysa Reis), Dentro de Mim (dir. Dayane Teles), Entre Corpos (dir. Mayra Costa), O Canto (dir. Izabella Vitório e Isa Magalhães), O Oceano de Dália (dir. Jasmelino de Paiva) e Samuel Foi Trabalhar (dir. Lucas Litrento e Janderson Felipe); e o longa também alagoano Cavalo (dir. Rafhael Barbosa e Werner Salles). As sessões envolveram a população local e evidenciaram para o público sertanejo a existência de uma cena audiovisual alagoana diversa em gêneros, temáticas, narrativas, conceitos e estéticas.

O Árido Lab é o selo formativo da produtora Feliz Deserto. Sua primeira edição foi realizada pela Sambacaitá Produções, com correalização da Associação Artística Saudáveis Subversivos e da Feliz Deserto; e apoio da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal). O projeto foi financiado com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), por meio da Agência Nacional do Cinema (ANCINE) e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). O evento de encerramento realizado em Delmiro Gouveia, especificamente, recebeu também o apoio da Secretaria de Turismo, Cultura e Esportes desse município e da Casa do Empreendedor Sebastião Bezerra. 

As duas próximas edições do projeto já estão confirmadas para acontecer entre 2025 e 2026. O foco desses novos ciclos será a fotografia e tudo que compõe narrativamente e tecnicamente esse departamento cinematográfico. 

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