Cobertura: Festival Luz, Câmera, Conexão – 2º dia

Texto: Rosana Dias. Revisão: Larissa Lisboa. Imagem: divulgação

O segundo dia do Festival Luz, Câmera, Conexão teve em sua programação a Oficina de Direção Criativa e Elaboração de Roteiros, ministrada por Ticiane Simões e a Oficina de Produção de Audiovisual com Celular (mobile), com Mário Zeymison, ambas realizadas na Escola Barão de Penedo para alunos do 8º e 9º anos. Também compôs o evento a Feira Cultural e Criativa com expositores que venderam seus produtos e divulgaram suas marcas. A competitiva Mostra Primeiro Ato no Cine Penedo foi formada pela exibição dos seguintes filmes: 

Candinga – O filme” (2025), direção de Jheyds Kann (BA), mistura conceitos cinematográficos de ficção e videoclipe tendo como tema nuclear a natureza, o filme é um apanhado de informações e de imagens sobre os biomas e encantados. Numa tentativa de mesclar o afrofuturismo e a figura do indígena, em alguns aspectos de sua narrativa excede nas imagens que utiliza, além de se tornar extenuante. O filme fala sobre o guardião da terra e da mandioca numa viagem temporal para recuperar a semente e replantar a esperança na natureza devastada pela ação humana. 

Cantilena, de acordo com alguns dicionários é uma canto ou cantiga suave e lírica, também é definida como uma narração ou história repetitiva, lamentação ou queixume. O curta-metragem homônimo de Dhiones do Congo (PB) nos leva por meio de um rio para um lugar onde somos atravessadas por um lamento na calmaria dos atos repetidos. Um ramalhete de Ipês amarelos é deixado ao lado da cruz por um pescador solitário. O rio é tempo, num vai e vem, dia e noite, como o macerar de uma planta, pois necessita o cuidado, essa ação não requer pressa, apenas atenção e presença. 

A mulher que prepara as ervas e com elas se banha junto ao seu companheiro é apenas uma lembrança presente. As mãos que criam desejam manter de algum modo essa lembrança que o pescador carrega consigo, como um patuá que ao atravessar o rio o deixa de ser e se transforma num ex-voto. “Cantilena” (2025) nos mostra o processo de transformação lento do luto, da dor e da perda, em uma memória que ora seca, ora transborda, como as fases de um rio. 

O curta-metragem cearense “Rebordosa”, de Darlan Sousa (2024) tem em seu enredo dois jovens, Jorge e Robson (interpretados por Patrick Sousa e Rafael Semino), que alugam uma quitinete com o desejo da liberdade, mas o jovem no Brasil não é levado a sério. Eles tentam, mas o sistema é coibidor quanto à sobrevivência deles nessa “aventura”. O desemprego e a falta de garantia para o pagamento do aluguel do mês faz com que o senhorio acabe expulsando seus inquilinos de um de seus imóveis localizado na periferia de Fortaleza. A direção de arte acerta em alguns elementos cênicos, no roteiro. A Bicicleta é, além de um transporte de locomoção, uma simbologia da liberdade desses indivíduos. 

O filme “Quando o passado for presente lembra-se de mim no futuro” (2025) é uma revisita a um lugar de memória a partir de álbuns de família do diretor e também artista visual Rafael Vilarouca (CE). Como um looping revisitamos esses registros fotográficos, a presença que outrora esteve já não está, se tornou memória a partir de fotografias coloridas, em preto e branco, fotopinturas, montagens e colagens. Além das fotografias o diretor inclui   imagens de VHS, memória dos que aqui não estão, um entremeado do atual e antigo, situações do cotidiano de seus familiares formam a narrativa fílmica da obra, há um diálogo com as obras do cineasta austríaco  Peter Tscherkassky. Projetar o passado no presente, a mulher de outrora é uma projeção do presente na tentativa de capturar algo que ainda não se conclui na repetição contínua, um abandono da narrativa linear. Um flerte com o movimento de vanguarda no cinema. 

O clássico A Máquina do Tempo de H. G. Wells publicado em 1895 foi inspiração para produções cinematográficas acerca do tema viajar do passado para o futuro, e adaptado no longa-metragem Guerra dos Mundos de George Pal em 1960.

A temática futurista está presente em algumas obras selecionadas no festival e “Tempo Triz”, de Mário Kinho (PE) é um dos filmes que trazem esse enredo. A ficção científica pernambucana rodada em Olinda aborda sobre dois jovens cientistas, Miguel, interpretado por Filipe Rios, e sua amiga, com atuação de Estela Leiming, que trabalham na construção de uma máquina e precisam decidir se deixarão suas ações interferir no futuro ou evitar algum dano decorrente delas.

A programação continua até este domingo (28/09), com a premiação dos vencedores da mostra competitiva.

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