Cobertura: Festival Luz, Câmera, Conexão – 3º dia

Texto: Rosana Dias. Revisão: Larissa Lisboa. Imagem: divulgação

O Festival Luz, Câmera, Conexão chegou ao seu terceiro dia, tendo em sua programação a Oficina de Introdução à Atuação, ministrada por Ticiane Simões, Rodadas de Negócios,  a Feira Cultural e Criativa e para finalizar a noite houve a apresentação musical com Allê, o Santo. Além da competitiva Mostra Primeiro Ato também houve a sessão especial de abertura com exibição do curta-metragem alagoano de Palmeira dos Índios “Brincadeira ou consequência”, de Matheus Monteiro, o filme fala acerca de acidentes no trânsito e como uma ação como o ato de passar trote pode ser nocivo principalmente quando isso interfere no trabalho exercido pelo Corpo de Bombeiros. Matheus em seu filme pode exercer a criatividade trabalhando bem os planos-contra-planos. Na competitiva houve a exibição dos seguintes filmes: 

Eu sempre sonhei sonhei em ter uma mata” (2025), o filme foi dirigido por Aldemir Barros e Bruno Leal (AL). A ambientalista Fátima Santos é uma das moradoras do residencial Brisa do Lago que fica localizado na região periférica de Arapiraca, é neste local que Fátima pode realizar alguns de seus sonhos, além de ter sua casa própria, ela vê naquele ambiente, cercado pela vegetação natural brasileira, a Caatinga, que ali também ela terá uma outra morada, e cultivou um espaço denominado de Eco Brisa. O curta-metragem mostra que no processo de manutenção desse espaço a protagonista além de preservar a área e plantar árvores, junto com a Associação de Mulheres pode realizar ações voltadas para a educação ambiental no sentido de que, tanto os moradores do residencial quanto a população que visitam esse espaço, tenha consciência de que aquele lugar cercado por juremas e arapiracas pode coexistir com o progresso. 

Fátima é mulher-semente que tem em sua essência a conexão com a mata e seus ancestrais. Como uma mulher que usa suas mãos para o cultivo da terra, ela passa a executar o ofício de confecção de bonecas Abayomis, nome iorubá para as bonecas de pano sem costura, feitas de retalhos, num simbolismo sobre resistência e a autoestima negra, mas que Fátima as renomeia de “kalunga de nós”. O filme é dinâmico, fluido e tem direção de fotografia de Peixe Dias.  

A animação paraibana “A Menina da Serra” (2024), de Cleyson Gomes, artista e animador 2D e 3D, conta a história da menina Edinete e de sua mãe, moradoras de uma região localizada no sertão nordestino. Com cenas que remetem ao filme “O Rei Leão” tem inspiração em um evento que ocorreu no interior da Paraíba, no entanto o diretor consegue tratar com ludicidade uma situação cruciante. As cores e tonalidades usadas para a animação dialogam e caracterizam o cenário e a temática retratados no filme. 

O curta-metragemA carta” (2023), de Júnior Ferraz, tem como narrativa a dor da perda e a religiosidade, no entanto a primeira é colocado como menos significativo, ao assistir este curta não experienciamos uma conexão maior e ou profunda, pois o apreço pelas falas coloquiais fragiliza o impacto que o filme poderia ter por tratar de assuntos tão relevantes quanto a negligência da pobreza, o analfabetismo, a vulnerabilidade, o abandono e ao testemunho da morte por parte de uma criança. 

Outro filme paraibano que compõem a mostra é o curta-metragem “Hipocondríaco”, de Paulo Roberto e Heleno Florentino, que enfoca sobre questões acerca de um sistema deficitário da saúde pública no qual o médico negligência uma mulher negra, Vanessa (Fafa Dantas), em sua consulta. O filho dela Augusto (Guilherme Kauan) brinca com seus amigos de polícia e ladrão. Até que se deparam com um corpo em um local abandonado. A partir daí a narrativa assume outro contexto, pois as crianças que ora se viam brincando se deparam com a realidade das periferias, a morte de corpos negros. Uma pesquisa realizada pelo pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no Rio de Janeiro, divulgou que em 2023, uma pessoa negra tinha 2,7 vezes mais chances de ser vítima de homicídio do que uma pessoa não negra. Mulheres mães de crianças negras vivem constantemente com o medo da morte de seus filhos. 

Lá na frente”, de Márcio Andrade (2025) é uma animação pernambucana que conta um tema sensível: a perda gestacional. A família, formada por Pedro e suas duas mães, espera uma criança, mas essa chegada é interrompida, fazendo com que tanto Pedro quanto suas mães experienciem a dor e o luto, cada pessoa ao seu modo. O filme é criativo e bem elaborado, por captar as emoções das personagens sem pesar o tom, mas com sensibilidade estética.  

Agora eu sou negro”, de Pedro Andrade (2024) é um documentário sobre o artista visual André Vicente, da cidade de Caicó (RN), no qual analisa sobre o fato de artistas negros brasileiros não se identificarem enquanto pessoas negras e também não expor com frequência a negritude em seus trabalhos em séculos passados. Vicente é um artista que, ao se reconhecer enquanto homem negro passa por uma modificação no ato criativo, isso modifica o olhar dele e a aproximação com o letramento racial. O filme conta com primorosas animações de Jefferson Dutra, e participou da Mostra Ecofalante de Cinema (2025).  

Na noite deste domingo, 28/09, haverá a cerimônia de premiação no Cine Penedo nas categorias de Melhor Fotografia, Melhor Atuação, Melhor Direção, Melhor Roteiro e Melhor Filme.

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