[Cobertura] 16ª Mostra Sururu de Cinema Alagoano – 2º dia

Texto e imagem: Ronald Silva. Revisão: Larissa Lisboa

Na noite desta quarta (11/12) rolou nas duas salas do Centro Cultural Arte Pajuçara a primeira sessão da Mostra Competitiva da 16ª Mostra Sururu de Cinema Alagoano, exibindo 06 dos 24 filmes selecionados pela curadoria desta edição.

Recebendo o título de “Maresia Emaranhada”, a sessão foi apresentada pela atriz Tamylka Viana. De início foram convidados Caio Praças, Érika Santos e Leonardo Amorim, curadores desta edição, para a leitura da Carta da Curadoria.

Na sequência, as equipes dos filmes da sessão foram convidadas a irem pra frente da sala, para dar uma breve fala sobre cada obra, antes das exibições.

Participaram da sessão os seguintes curtas-metragens:

– Ainda Escuto o Céu Embaixo D’água – filme experimental com direção coletiva das artistas Alice Lovelace, Céuva, Kalina Flor, Lua de Kendra, Marina Bonifácio, Morgana Neves, Nara Dos Santos, Pérolla Negra e Samantha de Araújo. A obra, que fala de sonhos a partir de um grupo de jovens travestis, de forma tocante e genuína, é fruto da primeira turma do projeto Ateliê Xica Manicongo de Cinema, formado 100% por mulheres trans e travestis alagoanas. O filme participou anteriormente de várias mostras e festivais, incluindo a VIII Mostra Sesc de Cinema, como filme representante de Alagoas no Panorama Nacional 2025.

– Manto Jaguriça – dirigido por Celso Brandão e Aldemir Barros, o documentário fala da relação ancestral do povo Povo Pankararu Opará com o Rio São Francisco, e a relevância espiritual das Cachoeiras de Paulo Afonso e Itaparica, locais onde rituais sagrados eram realizados antes da construção das barragens que alteraram profundamente a dinâmica territorial da região. Nos últimos cinco anos, a tribo iniciou um movimento de retorno ao seu espaço tradicional, reafirmando vínculos identitários e espirituais com seu território. A sessão contou com a presença de pessoas da tribo, que antes da exibição, se manifestaram sobre a aprovação pela Câmara de Deputados e do Senado da “PL da Devastação” (PL 2159/2021), que legaliza, entre diversas atrocidades e retrocessos contra a preservação ambiental, o Marco Temporal, que põe em risco territórios dos povos originários em todo país.

– Céu de Areia – animação ficcional dirigida por Robson Cavalcante e Claudemir Silva, conta sobre um grupo de crianças numa cidade do interior nordestino, que querem encontrar uma forma de parar “O Grande Moedor de Ruas”, que ameaça asfaltar tudo ao redor, impedindo que possam seguir brincando com as areias presentes na rua onde moram. Vale destacar o ótimo trabalho de dublagem que foi feito pelo ator Cleyton Alves e pelas atrizes Daniela Cattívaz e Louryne Simões.

– Tumulto – curta ficcional dirigido por Yuri Melo, narra um dia de quatro amigas reunidas em uma casa, que recebem uma visita inesperada de um “ficante” de uma delas. O filme é fruto do curso de produção audiovisual da Escola Criattiva, em Maceió.

– Maceió é Massacrada – dirigido por Vivian Drielli, o filme documental usa como referência o atual slogan adotado pela prefeitura da capital, “Maceió é Massa”, para a partir dele, retratar o abandono histórico do governo municipal nas periferias da capital alagoana: o descaso nos serviços públicos, o investimento focado no turismo endinheirado da orla marítima e em bairros abastados, e os desastres provocados pela Braskem, que afetam de forma desproporcional comunidades negras e pobres da cidade. É o primeiro trabalho realizado pela JCTZ Film, selo audiovisual formado por jovens moradores das periferias de Maceió, em especial, do bairro Jacintinho, que guarda grandes histórias e talentos.

– Ajude os Menor – dirigido por Janderson Felipe e Lucas Litrento, o filme é inspirado em um dos contos presente no livro “TXOW”, com autoria de Litrento. A trama se passa num prédio em construção, onde um entregador almoça com mais três amigos pedreiros, que observam o conflito do engenheiro com o mestre de obras. Anteriormente, o filme estreou no 58° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, levando dois prêmios: melhor trilha sonora (Paulo Gama) e melhor ator para os 04 protagonistas: Alaylson Emanuel, Caetano Vinicius Kedinha, Jiray, e Phelipe Ribeiro.

Em seguida, Érika Santos mediou o bate-papo com representantes dos filmes exibidos.

Uma novidade anunciada é a de que, nesta edição, o Júri Popular irá acontecer através de votação online: após cada sessão de filmes e clipes, o link poderá ser acessado através da leitura via câmera de celulares de um QR Code exposto em cartazes pelo Arte Pajuçara.

Na noite desta sexta-feira (12/11) acontece a segunda sessão, a partir das 19h. Os ingressos são gratuitos e distribuídos na bilheteria do Arte Pajuçara a partir das 18h, por ordem de chegada.

 

Be the first to comment

Leave a Reply

Seu e-mail não será divulgado


*