Itaú Cultural Play traz novos filmes à mostra permanente Todos os Gêneros, destinada à produção brasileira LGBTQIAP+

Texto: ConteúdoInk 
Seleção recebe mais dez filmes, documentários e ficções premiados que
abordam identidade de gênero, sexualidade, corpo e afetividade. Entre eles, estão os longas-metragens 
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014), de Daniel Ribeiro, e Mãe Só Há Uma (2015), de Anna Muylaert
A partir de 30 de janeiro (sexta-feira), a Itaú Cultural Play, plataforma de streaming gratuita do cinema brasileiro, traz novos filmes a Todos os Gêneros, mostra permanente voltada à temática LGBTQIAP+ e inspirada no evento de mesmo nome que o Itaú Cultural realiza desde 2013. Mantendo a essência dessa programação, que aborda a arte em intersecção com temas como identidade de gênero, sexualidade, corpo e afetividade, a plataforma exibe dez filmes, entre curtas e longas-metragens documentais e ficcionais, nos quais o olhar que confronta o preconceito e celebra as diferenças é também o que abre novas perspectivas para o audiovisual no país.
Entre os filmes disponibilizados estão o longa-metragem premiado Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (SP, 2014), de Daniel Ribeiro, assim como Eu Não Quero Voltar Sozinho (2010), curta-metragem do mesmo diretor que deu origem ao longa. O público também pode assistir ao filme Mãe Só Há Uma (SP, 2015), da premiada diretora Anna Muylaert, e a curtas-metragens que conquistaram prêmios em festivais de diferentes locais do Brasil, como Peixe Vivo (SP, 2023), de Bob Yang e Frederico Evaristo, e Queimando por Dentro (PE, 2024), dirigido por Enock Carvalho e Matheus Farias.
O acesso à Itaú Cultural Play é gratuito, disponível em www.itauculturalplay.com.br, nas smart TVs da Samsung, LG, Android TV e Apple TV, nos aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) e Chromecast. Você também pode encontrar conteúdo da IC Play nas plataformas Claro TV+, SKY+ e Watch Brasil.
Múltiplas formas de viver
Um dos filmes LGBTGIAP+ mais representativos dos últimos anos, o longa-metragem Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (SP, 2014) é um dos novos títulos da mostra Todos os Gêneros da Itaú Cultural Play. Nele, o diretor Daniel Ribeiro constrói um retrato sensível do amadurecimento ao acompanhar Leonardo, um adolescente cego que busca mais autonomia enquanto lida com o surgimento de seu primeiro amor, Gabriel.
No ano de seu lançamento, em 2014, o filme conquistou duas categorias no Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale): o Prêmio Teddy, destinado a produções com temática LGBTQIAP+, e Prêmio FIPRESCI, concedido pela Federação Internacional de Críticos de Cinema.
A mostra conta, ainda, com o curta-metragem que deu origem a Hoje Eu Quero Voltar Sozinho. Trata-se de Eu Não Quero Voltar Sozinho, também de Daniel Ribeiro, lançado em 2010.
Enquanto os filmes de Daniel Ribeiro focam nas descobertas da juventude, Phoenix Club (2025), de Gabriela Araújo, aborda um momento quase oposto, mas ainda repleto de aprendizados: a aposentadoria. Na trama, o personagem Valeriano, que está aposentado, redescobre a vida entre pedaladas à beira-mar e momentos no nostálgico Phoenix Club, onde faz novos amigos. Apoiado por uma fotografia acolhedora e intimista, o drama alagoano reflete sobre o tempo, a amizade e as expectativas em relação ao futuro.
Já o curta-metragem pernambucano Queimando por Dentro (2024), dirigido por Enock Carvalho e Matheus Farias, acompanha Samuel, um jovem criado em um ambiente religioso neopentecostal rígido. Quando seu pai o impede de dançar na igreja, o garoto se vê em conflito com tudo o que lhe foi ensinado a acreditar.
Entre repressão familiar e descoberta da sexualidade, o filme aborda as múltiplas questões que envolvem a influência desta que é a religião que mais cresceu no Brasil nos últimos anos. Em 2025, Queimando por Dentro recebeu os prêmios de Melhor Direção e Melhor Ator no 18º Curta Taquary, em Taquaritinga do Norte, em Pernambuco.
Por sua vez, Peixe Vivo (SP, 2023), que tem direção da dupla Bob Yang e Frederico Evaristo, retrata, com delicadeza, a história de Júnior, uma criança trans. Ao brincar com sua amiga imaginária na piscina, ele vê nela o seu maior sonho: ser uma menina feliz e que pode nadar livremente. Em 2023, o curta-metragem figurou entre os favoritos do público no 34º Kinoforum – Festival Internacional de Curtas de São Paulo e ganhou o Prêmio Ida Feldman, no 31º Festival Mix Brasil da Cultura da Diversidade.
Outro novo longa-metragem da mostra é Mãe Só Há Uma (SP, 2015), de Anna Muylaert. O protagonista é Pierre, um adolescente que descobre ter sido adotado ilegalmente. Convivendo com sua família biológica e sua nova realidade, o jovem precisa descobrir quem ele de fato é. O drama, que rendeu a Matheus Nachtergaele, que interpreta o pai do adolescente, o Prêmio Guarani de Melhor Ator Coadjuvante em 2017, discute sobre pertencimento, escolha e autonomia, sem recorrer a julgamentos fáceis.
No curta-metragem Tailor (RJ, 2017), que une animação e documentário, o cartunista trans Tailor compartilha sua trajetória e as vivências de outras pessoas trans. A partir do traço e da voz do artista, o filme, que teve toda a equipe composta por pessoas trans, transforma o desenho em ferramenta de escuta, afirmando o direito de narrar a própria história. A direção é de Tomas Cali dos Anjos.
Registros de vida
A mostra Todos os Gêneros recebe mais três documentários. Um deles é Para Onde Voam as Feiticeiras (2020), dos diretores Eliane Caffé, Carla Caffé e Beto Amaral, que segue um grupo de performers LGBTQIAP+ pelo centro de São Paulo. Nesse espaço público, eles fazem intervenções artísticas e encenações coletivas que levantam debates sobre questões de gênero, desigualdade social e preconceito. O longa-metragem conquistou prêmios em festivais importantes no Brasil e no exterior: em 2020, foi escolhido como Melhor Filme no 6º Queer Porto – Festival Internacional de Cinema Queer, em Portugal, e como Melhor Direção no 27º Festival de Cinema de Vitória, no Espírito Santo.
Já o documentário mato-grossense Majur (2018), de Íris Alves Lacerda, tem como mote a intersecção entre as experiências trans e indígenas. Nele, a personagem-título é uma mulher indígena trans, que é responsável pela chefia de comunicação entre os moradores de sua aldeia, Pobore, no Mato Grosso. Consciente de sua identidade e de seu papel na preservação da cultura a que pertence, Majur tem uma sábia opinião: o preconceito é uma criação do homem branco. Ao priorizar a fala da própria personagem, o curta-metragem confronta estereótipos e revela uma vivência originária marcada pela articulação entre tradição, modernidade e luta identitária.
Por fim, a mostra Todos os Gêneros exibe o documentário Divinas Divas (2016), longa-metragem dirigido pela atriz Leandra Leal. Nele, oito artistas trans e travestis que marcaram o teatro de revista, no Rio de Janeiro, na década de 1960 – entre elas Divina Valéria e Jane Di Castro (1947-2020) –, são convidadas a fazer um espetáculo juntas. Nesse processo, elas relembram suas histórias de talento e coragem, que desafiaram normas e abriram caminho para as gerações futuras. Em 2016, Divinas Divas conquistou a categoria de Melhor Documentário, no voto popular, e o Prêmio Felix, que abarca produções com temáticas de diversidade de gênero, no Festival do Rio.
Ficha e sinopse dos filmes
Hoje eu quero voltar sozinho
De Daniel Ribeiro (Romance, 96 min, SP, 2014)
Classificação indicativa: A12 – Conteúdo sexual, drogas lícitas e linguagem imprópria
Sinopse: Leonardo é um adolescente cego que busca mais autonomia em sua rotina. Entre a amizade de Giovana e a chegada de Gabriel, ele vivencia o despertar do primeiro amor e enfrenta os desafios de crescer e se reconhecer.
Eu não quero voltar sozinho
De Daniel Ribeiro (Romance, 17 min, SP, 2010)
Classificação indicativa: L – livre
Sinopse: Leonardo, um adolescente cego, lida com a chegada de um novo aluno em sua escola e os sentimentos que isso despertou nele. Agora, precisa conciliar sua autodescoberta com os ciúmes de sua amiga Giovana.
Phoenix Club
De Gabriela Araújo (Drama, 17 min, AL, 2025)
Classificação indicativa: A12 – Drogas
Sinopse: Valeriano vive sua aposentadoria em um contraste entre ócio e desejo de viver. Em um respiro, celebra um passado feliz em busca de um futuro pleno ao lado de seus amigos no Phoenix Club.
Queimando por dentro
De Enock Carvalho e Matheus Farias (Drama, 16 min, PE, 2024)
Classificação indicativa: A14 – Temas sensíveis
Sinopse: Criado em um lar evangélico neopentecostal e sob constante repressão de seu pai conservador, Samuel é proibido de participar da apresentação de dança da igreja. Em um processo de descoberta da sua sexualidade, ele se vê em conflito com tudo o que lhe foi ensinado a acreditar.
Peixe vivo
De Bob Yang e Frederico Evaristo (Drama, 12 min, SP, 2023)
Classificação indicativa: A12 – Temas sensíveis e drogas lícitas
Sinopse: Júnior brinca com sua amiga imaginária na piscina e vê nela o seu maior sonho: ser uma menina feliz e que pode nadar livremente.
Mãe só há uma
De Anna Muylaert (Drama, 82 min, SP, 2015)
Classificação indicativa: 16 – Conteúdo sexual, drogas ilícitas e linguagem imprópria
Sinopse: Ao descobrir que foi adotado ilegalmente, Pierre vê sua identidade abalada. Entre a mãe que o criou e a família biológica que ressurge, ele atravessa um processo de autodescoberta que envolve pertencimento e a reconstrução de si.
Para onde voam as feiticeiras
De Eliane Caffé, Carla Caffé e Beto Amaral (Documentário, 89 min, SP, 2020)
Classificação indicativa: A14 – Violência, conteúdo sexual e drogas lícitas
Sinopse: Durante um processo de criação coletiva, artistas de diferentes origens compartilham histórias, saberes e vivências. Entre memórias, cantos e encontros, o filme constrói um retrato sensível sobre liberdade, identidade e força feminina.
Majur
De Íris Alves Lacerda (Documentário, 18 min, MT, 2018)
Classificação indicativa: L – livre (violência)
Sinopse: Majur é indígena e transexual. Na aldeia Pobore, no estado de Mato Grosso, onde vive, ela é responsável pela chefia de comunicação entre os moradores. Consciente de sua identidade e de seu papel na preservação da cultura a que pertence, Majur tem uma sábia opinião: o preconceito é uma criação do homem branco.
Tailor
De Tomas Cali dos Anjos (Experimental, 9 min, RJ, 2017)
Classificação indicativa: A14 – Temas sensíveis e estigma ou preconceito
Sinopse: Um mosaico profundo sobre identidade, existência e resistência cotidiana. O cartunista transgênero Tailor compartilha sua trajetória e as vivências de outras pessoas trans.
Divinas divas
De Leandra Leal (Documentário, 110 min, RJ, 2016)
Classificação indicativa: A14 – Drogas lícitas, linguagem imprópria e nudez
Sinopse: Ícones do teatro de revista brasileiro, oito artistas travestis e trans revisitam suas trajetórias e memórias. Entre relatos íntimos e números de palco, o filme celebra a resistência, o afeto e a força de quem abriu caminhos para gerações futuras.
SERVIÇO
Dez novos filmes chegam à mostra Todos os Gêneros, na Itaú Cultural Play
A partir de 30 de janeiro

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