
Texto e imagem: Emanuella Lima. Revisão: Larissa Lisboa.
Marcado pelos 100 anos do Cine Pilarense, o 1º Festival de Cinema de Pilar teve sua estreia nesta quinta-feira (29), dando início a uma programação que se estende por três dias, com exibições de filmes, atrações culturais e homenagens.
No primeiro dia, o público assistiu aos curtas-metragens “Márcia e a Cabeça do Divino”, dirigido por Dário Júnior, e “Treme Terra”, com direção de Viviane Araújo — dois filmes que destacam histórias e personagens marcantes da cidade de Pilar.
“Márcia e a Cabeça do Divino”, de Dário Júnior, abriu a programação com poesia e sensibilidade. O curta mergulha na história de Mestra Márcia, artesã pilarense que transforma cabeças de bagre — peixe comum nas águas da Lagoa Manguaba — em arte sacra, viva e única. O filme, além de revelar uma técnica inusitada, carrega no olhar de Márcia a memória do amor pelo falecido marido, que incentivou seu talento. Muito mais do que esculturas; o curta revelou fé, afeto, resistência e a beleza de viver daquilo que se ama.
Em seguida, “Treme Terra”, de Viviane Araújo contou a história do mestre Edvar Feitoza, símbolo do Guerreiro — folguedo tradicional alagoano — e patrimônio vivo de Pilar. A obra é uma ode à cultura popular que insiste em florescer, mesmo diante do esquecimento. Edvar emociona ao afirmar: “Entre o amor de uma mulher e o Guerreiro, eu fico com o Guerreiro, porque ele nunca me deixou.” É sobre isso que trata o curta: sobre o amor incondicional à cultura que pulsa, dança e canta nas escolas, nos quintais, nos corações.
Encerrando a noite, foi exibido o videoclipe “Invencíveis”, do cantor pilarense Black Will. Com imagens fortes e simbólicas, o clipe destaca elementos da negritude e da resistência popular, refletindo as vivências e a identidade do artista. Um manifesto audiovisual sobre orgulho, luta e pertencimento.
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