Crítica: Como nasce um rio (dir. Luma Flôres)

Texto: Gabriela Luz. Revisão: Roseane Monteiro.

As obras dessa década, em sua grande parte, estão voltadas para enredos que abordam identidade, gênero e sexualidade. E, analisando a partir dessa ótica, podemos entender como uma temática que, em sua totalidade, está saturada, principalmente no audiovisual, talvez pelos caminhos comuns e clichês que essas produções têm tomado.

“Como nasce um rio”, apesar de ser um produto desta época, se diferencia ao desafiar em forma, não só por ser uma animação, mas por usar desse meio para explorar suas temáticas com uma ousadia singela, construindo uma narrativa visual que não necessita de diálogos para encantar.

Tudo parece estar em movimento, e o curta encontra força nisso. É tecnicamente um vislumbre, movimentos leves, poéticos, planos muito bem elaborados, uma paleta com cores que conversam entre si e carregam significados. O filme faz um ótimo uso das ferramentas que tem, e o som é uma delas, é crescente e nos dá a impressão de que acompanha a personagem nesse descobrimento.

A escolha dos símbolos para tratar da narrativa é o maior diferencial, pois é poético ao permitir interpretações distintas. E, no contexto brasileiro, em que estamos com cada vez mais as pautas ambientais fragilizadas e judicialmente em discussão, a obra abraça seu tempo e nos faz refletir sobre essa relação. Ao mesmo tempo, mostra o descobrimento de um sentimento que, no início, é seco e um tanto hostil, mas, ao seu fim, torna-se um mergulho profundo nas águas de um rio.

É sensível em cores e formas, e não se limita ao comum, provando que a animação ainda tem uma força única que o cinema tradicional não tem, por isso, sua importância.

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