
Texto: Anastácia Lima. Revisão: Cleber Pereira
O mapa em que estão os meus pés (2025) narra poesia, amor e liberdade numa sincronia sublime. A direção de Luciano Pedro Jr, através das imagens filmadas em super-8 em conjunto com o voz off, cria uma atmosfera nostálgica que nos leva ao possível trajeto de Sebastião à sua terra natal. A narração e escolha das imagens exploradas com zoom que aproximam e afastam passando pela estrada trazem elementos visuais – o barro, o caminhão, o bar e a mesa de plástico amarela – que lembram a direção de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes em Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009).
O impacto visual da obra perpassa sentidos que vão além do consciente. O filme não permanece na tela, mas transborda em palavras de alto e bom som: oxe! expressão que ganha lugar na sala do cinema e enriquece a experiência cinematográfica. A reação se dá, frente à cena épica em que uma mulher lava uma televisão antiga na porta de sua casa, jogando água abundante sobre o eletrodoméstico, despertando confusão à primeira vista do espectador. É aí que a ficção ganha lugar dentro do aparato documental apresentado, que até então parecia oriundo de um arquivo pessoal construído organicamente durante um longo período e montado junto ao texto.
Além disso, o sentido ficcional entrelaça a subjetividade do protagonista com o coração da bananeira – um fio condutor da história que materializa o que, para Sebastião, um dia já foi ou pretendia ser. É o elo entre memória, tradição, alimento e continuidade vital que une todas as coisas vividas em busca de liberdade, finalizando sua passagem no mar com águas agitadas. Dessa maneira, o curta-metragem híbrido sustenta sua narrativa de forma sucinta e inteira.
Por Anastácia Lima, com supervisão do Mirante Cineclube, para o Laboratório de Crítica Cinematográfica da 16ª Mostra Sururu de Cinema Alagoano
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