E, afinal, o YouTube não é um streaming?

Texto: Rastricinha Dorneles. Revisão: Larissa Lisboa Imagem: Cena do filme Cultura Ballroom: A arte da resistência

Quando discutimos a distribuição de obras audiovisuais, costumamos considerar plataformas como Globoplay, Netflix, Prime Video, entre outras, mas frequentemente desconsideramos o YouTube. E isso me faz questionar: qual a razão para essa exclusão?

Furar a tradicional linha de exibição e permitir que uma obra alcance o grande público em um país onde as salas de cinema estão concentradas em uma única região faz sentido. Mas validar a cadeia de produção nacional apenas por meio de contratos comerciais com empresas de modelos de negócios imperialistas e exploratórios não.

O YouTube está longe de ser uma entidade benevolente, mas é possível desenvolver produções profissionais voltadas para a plataforma, com retorno tanto financeiro quanto de audiência. Não sei vocês, mas, nas casas que frequento, o YouTube domina as telas das TVs. Seus números, com milhões de visualizações em tempo recorde, deveriam ser desconsiderados como um resultado profissional válido por quê?

Me preocupa profundamente o lobby industrial que busca preservar as cartas marcadas da produção audiovisual, enquanto vivemos em um país continental, com milhões de cidadãos e uma demanda cultural diversa e potente. A grande burguesia falhou em desenvolver essa indústria nos últimos cinquenta anos, investindo de forma preguiçosa e sempre com o olhar voltado para uma reconexão com o velho continente. Enquanto isso, o YouTube revolucionou a forma como somos representados e construiu uma nova lógica para a indústria criativa.

Precisamos levar esse streaming e seus produtores a sério.

A imagem que ilustra este texto é do filme alagoano Cultura Ballroom: A arte da resistência (dir. Glendha Melissa) que está disponível no Youtube.

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