Crítica: Estação Aquarius (dir. Fernando Brandão, Flávia Correia, Jairis Medrado, Levy Paz, Rayane Góes e Ticiane Simões)

Texto: Eduardo  Filipe  F.  da  Silva  e Leslen Andrielly F. da Silva. Revisão: Larissa Lisboa

Estação  Aquarius  (2019). Direção: Fernando Brandão, Flávia Correia, Jairis Medrado, Levy Paz, Rayane Góes e Ticiane Simões

O curta “Estação Aquarius” aborda a malha ferroviária de Maceió, a qual um dia foi o principal meio de transporte para o carregamento da cana-de-açúcar – produzida  na  parte  alta  da  capital  e transportada até  o porto. Meio de transporte que foi  ressigni?cado, com  o passar dos anos, para servir a população, conectar Maceió à cidades da região metropolitana, como Rio Largo e Satuba.

Apesar  disso,é nítido  durante  o curta  o descaso  e a falta  de  investimento  que esse  meio de deslocamento sofre. É por aqueles vagões que circulam centenas de alagoanos dos mais diversos gêneros, sexos, cores, a diversidade é presente ao longo caminho do trilho. No vagão do trem travestis, lésbicas, drags e tantos outros grupos sociais, que até hoje sofrem com a discriminação da sociedade, mostram quem são de verdade como vemos nas cenas de Estação Aquarius. A própria arte como é no caso do slam ou das performances em meio aos passageiros, que mais parecem uma plateia presenciando uma pura demonstração.

As imagens do trem fazem uma analogia de como é a vida, transitória, que passa de uma estação para outra, às vezes sem nem sequer ser percebida. Ao mesmo tempo,  ela é repleta  de movimento seja para quem transita diariamente sob os trilhos e con?a seu chegar à mobilidade urbana,  seja  para  quem  revela  nesse trânsito a sua realidade, também muitas vezes reprimida, mas que ocupa e chega em todos os lugares com coragem. Os depoimentos ilustrados com o passar do trem e das pessoas presentes nelas só fortalecem a ideia da temática das vidas  que  se  movem  ao  ritmo  dos  percursos  batidos  pelo  trem, sempre os mesmos caminhos que atravessam paisagens diversas, como rios, lagoas, vielas, o caminho verde das áreas afastadas da zona urbana, o comércio e mar.

Apesar de curto, a obra traz um tema muito interessante de ser re?etido e debatido, ainda mais  sabendo  como é a realidade  maceioense  e que o trem está interligado diretamente com a vida de várias pessoas. Por  um  momento parece que assistimos  a um  documentário  que  se  resume  somente  ao  uso  do veículo ferroviário, mas o filme toma um rumo ?rme e bem colocado ao trazer artistas que, por meio de suas  linguagens,  mostram  e validam  suas  existência em  meio à homogeneização de uma vida urbana e, paralelamente, periférica. A arte, ali, atuando como gesto de visibilidade e resistência.

Este texto foi escrito como exercício da disciplina Oficina de Produção Audiovisual (UFAL), ministrada pela professora Gabriela Palmeira.

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