Mostra Performance Negra no Cinema Brasileiro: 1º dia

Texto: Janderson Felipe. Imagem e revisão: Larissa Lisboa.

Na noite desta quarta-feira (26), teve início a Mostra Performance Negra no Cinema Brasileiro, idealizada por Fabio Rodrigues durante a graduação em Cinema na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, UFRB-BA. A edição da mostra trazida para Maceió, com sessões no Sesc Centro, tem curadoria de Fabio Rodrigues, Ulisses Arthur, Reifra Pimenta, Manuela Muniz e Alex Antônio, e contará com a participação de artistas e pensadores alagoanos(as). Fabio tem a intenção de seguir levando a Mostra para outros lugares e dar continuidade aos estudos sobre essa temática em seu mestrado.

A proposta da mostra é discutir o lugar de criação das atuações de atores e atrizes negras junto a representação do negro no cinema brasileiro, criando um espaço novo para este tipo de discussão dentro da cidade e de encontro entre público, realizadores, atores e atrizes negras locais.

A primeira sessão da mostra foi programada com dois filmes, o primeiro sendo o curta-metragem O Menino e o Velho, de Miguel Silveira, o filme feito para TV é um marco para o cinema baiano por ser um registro do ator cachoeirano Mário Gusmão, primeiro ator negro a se graduar na Escola de Teatro da Bahia, e que inspirou a criação da mostra junto ao cineclube do mesmo nome do ator no Recôncavo da Bahia (Cineclube Mário Gusmão).

O filme em sua simplicidade apresenta uma criança, representada por Lázaro Ramos em sua primeira aparição no cinema, e um velho (Mário Gusmão) que se encontram numa rua de barro, que remete muito ao encontro de um griot incorporado por Gusmão passando o seu conhecimento para uma criança cheia de vontades e apressada enquanto caminham por essa estrada. Apesar da cópia exibida estar prejudicada pelo tempo, são perceptíveis o esmero e o afeto com que são tratados, e bastante significativo o filme ser um dos poucos registros de um ator aos 60 anos, com carreira vasta na Bahia passando pela dança e teatro e a primeira vez em tela de um promissor ator, iniciando sua carreira. O filme acaba por ultrapassar a barreira da ficção, sendo um documento sobre o tratamento dessas performances negras do cinema baiano.

O filme apresentado em seguida foi Rio, Zona Norte, de Nelson Pereira dos Santos, um clássico do cinema brasileiro protagonizado por Grande Othelo, no papel do sambista carioca Espirito da Luz que luta para ter seus sambas gravados, mas que é sabotado por um golpista que se apropria de suas obras. Nesse filme é perceptível o “rasgo na tela” feito por performances negras acentuado pela proposta da mostra, onde se reconhece que Grande Othelo na sua performance ultrapassa as barreiras de qualquer estereótipo ao inserir camadas através de sua atuação, reforçando um espaço de criação do ator no cinema, assim foi o início da mostra que de acordo com Fabio Rodrigues busca  repensar um lugar sobre a autoria no cinema e uma nova perspectiva sobre o cinema negro brasileiro.

A Mostra Performance Negra no Cinema Brasileiro continua hoje (27/09), às 19h no Sesc Centro com os filmes: Troca de Cabeça (BA, 15′ 1993), dir. Sérgio Machado, e Compasso de Espera (1973) Dir: Antunes Filho.

Mais informações no evento no Facebook ou na matéria Mostra Performance Negra em Maceió.

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