
Texto: Rosana Dias. Imagem: Mídia Ninja.
Assim mostrou-se o Festival AudioTransVisual que ocorreu no período de 21 a 23 de setembro, trouxe às telas diversos filmes produzidos, dirigidos, roteirizados e atuados por pessoas trans. Essa diversidade além de corpos e corpas esteve presente também nos diferentes Estados brasileiros que produziram os filmes.
Filmes que foram produtos do curso livre de formação AudioTransVisual, este curso buscou inserir pessoas trans nos diversos segmentos do audiovisual, ao todo foram 17 curtas-metragens, documentários e ficções, filmes de diversas e riquíssimas temáticas.
Tenho tido nesses últimos meses o prazer de ter assistido a variados filmes das mais diversas mostras e festivais de cinema, este me tocou de modo muito peculiar, saber sobre filmes produzidos em plena pandemia e sendo realizados por pessoas trans, foi algo extremamente significativo, vi algo sobre no perfil do Youtube da Mídia Ninja sobre o filme A hora do banho, mas não voltei a olhar o perfil. Naquele mesmo dia Larissa Lisboa falou-me sobre o Festival e fez a proposta de embarcar com ela pondo as minhas impressões sobre algum filme ou sobre o Festival, aceitei o convite na hora.
Assisti na VII Mostra Sururu de Cinema Alagoano o filme Wonderfull – meu eu em mim, de Dário Júnior (filme sobre a vida da mulher trans Natasha Wonderfful), algum tempo depois o exibi no Sesc Arapiraca, lembro que foi ali naquela segunda vez que assisti ao filme que me dei conta da falta de pessoas trans no audiovisual no Brasil, e sobre como a falta de oportunidades levaram e levam estas pessoas para outros caminhos. Ter mais projetos como o curso de formação AudioTransVisual e disponibilizar as obras audiovisuais realizadas em um Festival, é mais que urgente, também que nós realizadoras, possamos inserir estas pessoas, essas corpas e esses corpos juntos aos nossos trabalhos. Não só falar sobre, mas possibilitar lugar de fala, de criação e de produção.
Aqui destacarei alguns, mas saliento que todos os filmes têm suas significativas singularidades e importância entre suas diversidades. Feminação, de Victoria Helena, nos fala sobre os traumas causados por meio da violência doméstica, dos relatos de abusos sofridos por Solange Revoredo e como ela se tornou ativista e fundou o GRAM (Grupo de Apoio a Mulheres). Lugar de origens, de Luca Andrade, um lugar, pessoas e a arte, este curta não é só sobre o lugar de origem é também sobre ser acolhida por pessoas e ter na arte um acolhimento, além de reverberar na sociedade os desdobramentos dos contatos, e desse local. IAUARAETE, de Xan Marçall, aqui os espíritos ancestrais performam além das matas, aqui a sabedoria ancestral está inserida em uma corpa que carrega a mensagem dos animais, de sua sabedoria encantada. Como nenhuma inteligência já amou, de Sophi Saphirah, nesta ficção que fala sobre relações de afeto, corpo e máquinas, temos uma sociedade de desigualdades sociais e amorosas.
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