
Texto: Anne Eluizy Santos de Melo e Maria Vitória Santana. Revisão: Larissa Lisboa
No Rio São Francisco, o tempo não para, ele segue o compasso das águas e a força das memórias. O curta-metragem “Dalvinhas” capta essa atmosfera ao revelar um cenário sagrado, onde a voz feminina predomina. Não se trata apenas de um encontro familiar, mas de um grupo de herdeiras de um saber que une barro, arte e resistência.
Nesse ambiente, o feminino é a essência. Estão presentes as irmãs Graciane Almeida e Michele Castro, que guardam as memórias da infância; a mãe, Dirlene de Paiva, que presenciou o florescer das ideias; e a neta, Agatha Martin, que demonstra o olhar da Dalvinha para o futuro. O afeto se estende à afilhada Malhinha, à aluna Daniele Soares e à “amiga-irmã” Zezinha Dias, cujos olhos revelam cada detalhe e gesto que ainda ecoam nos recantos da casa e do rio.
Dalvinha não era uma professora comum. Era uma artista que pensava de forma inovadora, criativa e persistente de que educar é, primordialmente, um ato de liberdade e expressão. O curta nos imerge nesse universo apresentando a escola de barro, um espaço infantil e os livros como portais para o mundo.
O curta é um rico painel de detalhes. Por meio de falas, gestos e criações originais, é possível perceber a presença de Dalvinhas em cada objeto. No entanto, seu legado transcende os limites da sala de aula. Ele ganha voz e ritmo com o Grupo Caçuá. Ao cantarem, o som se transforma em mais do que música; é resistência contra as agressões pelo rio de São Francisco. É a compreensão de que defender o rio é defender a própria vida e a cultura de seus habitantes.
Zezinha Dias, ao destacar as particularidades da vida da amiga, demonstra que Dalvinha era uma mestra na arte de viver. O documentário revela que, mesmo com o fim da matéria, o espírito de uma professora que ensinou a “sentir o rio” e a “construir o próprio caminho” é eterno. Dalvinhas é o retrato de uma mulher-rio: profunda, indispensável e perene em cada margem que alcançou.
Este texto foi escrito como exercício da disciplina Oficina de Produção Audiovisual (UFAL), ministrada pela professora Gabriela Palmeira.
Leave a Reply